terça-feira, 17 de maio de 2011

Tecnologias limpas: todo mundo sai ganhando


Empresas que se preocupam com o meio ambiente e que fazem uso de recursos ecologicamente corretos em suas dependências melhoram a imagem no mercado, colaboram com a natureza e ainda economizam capital. Por sua vez, a tecnologia limpa reduz a poluição, o consumo de energia, a contaminação e o impacto ambiental. Enfim, é um tipo de negócio em que todos saem ganhando. O segmento turístico não fica de fora. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, o mundo hoteleiro pode fazer uso racional de água, energia, gás, reciclagem de lixo e até mesmo investir na conscientização ambiental de hóspedes e funcionários.

Meios de aplicação das chamadas tecnologias limpas não faltam. Para aquecer a água, por exemplo, nada melhor do que energia solar. A economia é significativa. De acordo dados do Programa de Energia da Universidade de São Paulo, publicados em 2003 na tese Aplicação de Tecnologias Limpas na Indústria Hoteleria para um Turismo Sustentável, feita por Marlene Martins Dias para a Faculdade Senac de Educação Ambiental, um aquecedor solar gasta cerca de R$ 0,0035 por litro de água aquecida, enquanto um aquecedor a gás gasta R$ 0,64 e um chuveiro elétrico, R$ 0,89. A ONG Sociedade do Sol (www.sociedadedosol.org.br) tem experiência na implementação de aquecedores solares e pode ajudar a tirar dúvidas de quem quiser substituir energia elétrica por solar.

Também é possível instalar um sistema de tratamento de esgoto para reuso da água – a que vem de chuveiros e lavatórios deve ser reaproveitada. Dentro destas medidas pode-se, inclusive, diminuir a vazão da água dos chuveiros, válvulas de descarga, bacias sanitárias e torneiras. Em 2003, a produção da Natura aumentou 27%, mas o consumo de água e de energia elétrica caiu – 4,5% e 9%, respectivamente. Resultado da ecoeficiência.

Localizado na Mata Atlântica, na região serrana do Rio de Janeiro em Teresópolis, o Hotel e Fazenda Rosa dos Ventos usa equipamentos solares há 29 anos. Em 2004, duas piscinas externas também passaram a ser aquecidas com energia solar. De acordo com o hotel, reduziu-se o consumo de energia e os custos operacionais. Existe uma linha de financiamento para este tipo de equipamento (BNDS - FINAME) com pagamento em 5 anos com dois de carência que permite o retorno do investimento em cerca de 36 meses.

Existem órgãos do setor turístico que apóiam o uso de tecnologias limpas. O Roteiros de Charme (www.roteirosdecharme.com.br), associação hoteleira sem fins lucrativos, divulga a hotelaria com responsabilidade social e ambiental. “Atualmente contamos com 42 hotéis. Faz parte de nosso critério de seleção a preocupação com o meio ambiente”, afirma Mônica Borobia, diretora ambiental da instituição.

A espanhola Iberostar, uma das maiores companhias hoteleiras do mundo, é líder em investimento estrangeiro do turismo no Brasil. Antes de inaugurar o barco-hotel de luxo Grand Amazon, que faz cruzeiros pelo rio Amazonas, a empresa investiu em um sistema de esgoto com tecnologia alemã chamado biodigestor. Os resíduos armazenados no barco são retirados no porto de Manaus e vão direto para um aterro sanitário. De acordo com a empresa, nenhum detrito é despejado no rio. “Nos preocupamos com o impacto ambiental de nossos empreendimentos e não poderia ser diferente com a Amazônia”, afirma Orlando Giglio, diretor comercial da empresa no país. João Allievi é presidente do Instituto de Ecoturismo no Brasil e também faz uso de tecnologias limpas em seu complexo que reúne chalés, o Refúgio de Montanha na Pedra do Baú. “Tenho compromisso com a conservação da natureza”.

Companhias de todos os setores, incluindo hotéis e pousadas, que demonstram essa preocupação com impacto ambiental e adotam medidas ecoeficientes ganham o respeito e a fidelidade de seus clientes. “Com certeza uma empresa dessas ganha crédito comigo. Gostaria de ver mais estabelecimentos com esse tipo de iniciativa”, afirma o jornalista Fabiano Falsi, que adora viajar.

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